quinta-feira, outubro 25, 2012

LEIAM COM ATENÇÃO

Lei do Sinase fica na berlinda no debate entre magistrados
19 OUTUBRO em EventosJudiciário.
Por: TJES.
Foto: TJES. Eventos Judiciário.

A “Lei de Execução da Infância e Juventude”, assim definida pelo juiz gaúcho João Batista Saraiva a Lei 12594/2012 (Sinase), dominou as discussões da tarde desta quinta-feira (18) do Encontro Nacional de Juízes da Infância e Juventude, realizado em Vitória.


Numa palestrante marcada pela paixão com que aborda o tema, o magistrado do Rio Grande do Sul questionou a discussão inócua de vários pontos da Lei que regulamentou o Sistema Nacional Socioeducativo (Sinase) por considerar que eles são claros, no que tange aos direitos dos adolescentes, mas continuam gerando polêmica.

“Como questionar o direito de visita íntima para adolescentes em situações pré-existentes, como casamento ou união estável? Isso faz parte de um dos princípios básicos do artigo 35, que é o fortalecimento dos vínculos. Há também que se cuidar da celeridade processual nas Varas da Infância e Juventude, porque o tempo na juventude é outro e resposta tardia não é resposta, é negação da justiça”, asseverou Saraiva.

O magistrado informou que o Governo Federal está editando uma normatização exigindo que os Creas (Centros de Referência Especializados em Assistência Social) tenham especialistas em medidas socioeducativas, mas ele, particularmente, defende a ideia de que, em cidades com mais de 50 mil habitantes, haja Creas específicos para medidas socioeducativas.

A mesa vespertina foi composta ainda por duas profissionais da área de psicologia, Marcela Serrat e Renata Vescovi. Marcela abordou a questão “O uso de álcool e outras drogas, a internação compulsória e a interface com a Justiça”, quando enfatizou que a sociedade não pode “comprar” a ideologia das “internações enganosas sem ouvir o usuário”, porque elas não funcionam.

Para Marcela, a sociedade precisa mudar o foco da discussão do uso de drogas, porque coloca a substância em evidência, em vez de o ser humano. “O toxicômano é que faz a droga, não é a droga que faz o toxicômano”, salientou.

Já Renata Vescovi fez uma análise da violência infanto-juvenil a partir da visão psicanalítica. E defendeu as práticas restaurativas. “Eu gostaria de ver os juízes atuando, e pergunto se isso é possível, no mundo que existe além dos autos, porque o crime, a violência, é também uma forma de se encontrar com o semelhante. A violência aparece quando a palavra e o diálogo faltam”, observou Renata.
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Semiliberdade em São Bernardo do Campo

Fundação CASA abriará o segundo Centro de Semiliberdade no Grande ABC...".

São Bernardo contará com unidade de semiliberdade
Fábio Munhoz 
Do Diário do Grande ABC

A Fundação Casa criará a segunda unidade de semiliberdade no Grande ABC. O prédio funcionará em São Bernardo e terá capacidade para abrigar 20 jovens, que passam o dia estudando ou trabalhando e, à noite, voltam para a reclusão. A implementação é resultado de ação civil pública movida em 2003 pelo Ministério Público e julgada em 2009.
Atualmente, a única cidade da região que oferece o regime de semiliberdade é Diadema, que também tem capacidade para 20 internos. No entanto, segundo a Fundação Casa, atualmente 18 jovens estão abrigados. Já as três unidades de internação funcionam em São Bernardo (duas) e Mauá, cada uma com lotação máxima de 56 pessoas.
Nesta semana, foi publicada no Diário Oficial do Estado a contratação de empresa que fará segurança privada do novo centro socioeducativo. O contrato, no valor de R$ 253,6 mil, será válido até setembro de 2013.
Apesar de a companhia já ter sido contratada, a Fundação Casa não precisou quando a unidade começará a funcionar e em que bairro será instalada. A instituição informa apenas que o local está "em fase de implantação" e que estuda localização e prazos apropriados.
"Neste momento, a Fundação Casa tem celebrado os contratos administrativos necessários, por meio de licitação, visando ao funcionamento do centro socioeducativo", explica a instituição, por meio de nota.
A transferência de menores para o regime em meio aberto em caso de falta de vagas nas unidades de internação é prevista pela lei 12.594 de 2012, que institui o Sinase (Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo). "O adolescente deve ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa", diz o texto.
Para o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador do Grupo de Trabalho Criança Prioridade 1, do Consórcio Intermunicipal, o regime de semiliberdade ajuda a reduzir a superlotação na internação. Segundo ele, dos 8.000 jovens da Fundação Casa em todo o Estado, apenas 10% estão na reclusão parcial.
Na semana passada, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu que é ilegal o provimento que autorizava à Fundação Casa extrapolar em até 15% a capacidade máxima das unidades. A superlotação é vista por especialistas como uma das principais causas de rebeliões. Em São Bernardo, três motins foram realizados entre julho e agosto.

fonte: http://www2.dgabc.com.br/News/5989377/fundacao-casa-tera-unidade-de-semiliberdade-em-sao-bernardo.aspx